{"id":334,"date":"2014-05-14T18:57:59","date_gmt":"2014-05-14T18:57:59","guid":{"rendered":"http:\/\/educacaoemnutricao.com.br\/site\/?page_id=334"},"modified":"2014-05-14T18:57:59","modified_gmt":"2014-05-14T18:57:59","slug":"distracoes-de-educadores","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/educacaoemnutricao.com.br\/site\/distracoes-de-educadores\/","title":{"rendered":"DISTRA\u00c7\u00d5ES DE EDUCADORES?"},"content":{"rendered":"<p><em>Maria Cristina Faber Boog<\/em><\/p>\n<p>Hoje fui assistir uma festa escolar, na qual foram apresentados trabalhos sobre Educa\u00e7\u00e3o Alimentar e Nutricional realizados nas classes de Educa\u00e7\u00e3o Infantil. Entre colagens representando pratos saud\u00e1veis, pir\u00e2mides de alimentos, algo se destacava pela criatividade: um gr\u00e1fico de barras verticais, feito com colagem de quadradinhos de papel colorido que representava o n\u00famero de crian\u00e7as da classe que consumiam alguns alimentos (\u00e1gua, arroz, frutas, feij\u00e3o, entre v\u00e1rios outros e&#8230; pasmem! O n\u00famero de crian\u00e7as que comiam em uma conhecida lanchonete de rede multinacional, que era, ali\u00e1s, \u00a0exatamente igual ao n\u00famero de crian\u00e7as que comiam arroz, ou seja, o total da classe!<\/p>\n<p>Qual foi a inten\u00e7\u00e3o de realizar esse trabalho?<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o do gr\u00e1fico em si \u00e9 muito interessante. Desconhe\u00e7o quais foram os prop\u00f3sitos da escola, mas no meu entendimento, essa experi\u00eancia possibilita:<\/p>\n<ol>\n<li>Perceber o coletivo da alimenta\u00e7\u00e3o e compar\u00e1-la com a sua pr\u00f3pria.<\/li>\n<li>Conversar sobre que alimentos est\u00e3o sendo consumidos por menos fam\u00edlias (no caso eram as frutas e o feij\u00e3o).<\/li>\n<li>Interessar a crian\u00e7a pelo assunto \u201cconsumo de alimentos\u201d.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Ter crit\u00e9rios para analisar criticamente as pr\u00f3prias pr\u00e1ticas alimentares e interessar-se pelo assunto alimenta\u00e7\u00e3o do ponto de vista social, de cidadania e de sa\u00fade s\u00e3o atitudes que se espera de qualquer adulto educado e respons\u00e1vel. Nesse sentido a escola est\u00e1 formando bem seus alunos. Quando essas crian\u00e7as forem adultas n\u00e3o passar\u00e3o direto por uma mat\u00e9ria de jornal que trate dos resultados das pesquisas de consumo de alimentos, pois consumo de alimentos far\u00e1 parte de seu repert\u00f3rio tem\u00e1tico.<\/p>\n<p>Mas cabe perguntar: o que faz a <em>marca<\/em> da lanchonete junto com a \u00e1gua, o arroz, o feij\u00e3o e as frutas? O que teria levado professores, t\u00e3o interessados, comprometidos, cuidadosos e bem intencionados, a inserir entre nomes de alimentos, uma marca comercial de rede de <em>fast-food<\/em>?<\/p>\n<p>No caso de alguma crian\u00e7a n\u00e3o frequentar tal lanchonete, talvez ela viesse a se sentir at\u00e9 diminu\u00edda perante o grupo. E os que n\u00e3o consomem feij\u00e3o? Ser\u00e1 que o fato foi comentado? A grande pergunta que fica para mim \u00e9: em que sentido foi conduzida a discuss\u00e3o neste caso?<\/p>\n<p>Fico me perguntando qual foi a reflex\u00e3o posterior a essa constata\u00e7\u00e3o, uma vez que a crescente aus\u00eancia do feij\u00e3o no card\u00e1pio dos brasileiros vem sendo um tend\u00eancia que deveria preocupar pais e educadores.<\/p>\n<p>E a outra reflex\u00e3o que se pode fazer a partir da experi\u00eancia \u00e9: o que faz a marca da rede de <em>fast-food<\/em> em meio ao nome de alimentos tradicionais? Pode-se alegar que as crian\u00e7as mencionaram a marca. Certo&#8230; mas e o professores, n\u00e3o questionaram isso? Permitiram que a marca viesse a ocupar o mesmo <em>status<\/em> do feij\u00e3o e das frutas em um gr\u00e1fico de consumo de alimentos? N\u00e3o h\u00e1 algo a ser corrigido a\u00ed?<\/p>\n<p>Como mera expectadora, me pergunto sobre as raz\u00f5es que teriam levado ao deslize dessa invers\u00e3o de valores. Foi uma distra\u00e7\u00e3o?&#8230; Ser\u00e1 que os professores estavam t\u00e3o distra\u00eddos que n\u00e3o perceberam que estavam sendo usados como propagandistas involunt\u00e1rios (ou \u201cvolunt\u00e1rios\u201d?) da rede de <em>fast-food<\/em>?<\/p>\n<p>Uma estrat\u00e9gia frequentemente utilizada nas iniciativas de educa\u00e7\u00e3o em nutri\u00e7\u00e3o \u00e9 apontar o inadequado mostrando seu nome ou seu logotipo. N\u00e3o nos esque\u00e7amos da m\u00e1xima: \u201cfalem mal, mas falem de mim\u201d! Mostrar a imagem do produto ou de seu logotipo, assim como mencionar seu nome, funciona como propaganda do produto, ainda que a mensagem venha com cr\u00edticas sobre o produto ou com recomenda\u00e7\u00f5es para evit\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Educa\u00e7\u00e3o alimentar n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil nem banal.\u00a0 N\u00e3o permite distra\u00e7\u00f5es!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Cristina Faber Boog Hoje fui assistir uma festa escolar, na qual foram apresentados trabalhos sobre Educa\u00e7\u00e3o Alimentar e Nutricional realizados nas classes de Educa\u00e7\u00e3o Infantil. 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